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Artigos sobre o transporte fretado corporativo — gestão, tecnologia, operação e cases reais.

KPIs do transporte fretado: quais indicadores acompanhar e como agir sobre eles

  • Foto do escritor: André Ikeda
    André Ikeda
  • há 23 horas
  • 7 min de leitura

Muitas empresas operam seu transporte fretado sem nenhum indicador de desempenho formalizado. A operação roda no dia a dia, os problemas são resolvidos conforme aparecem, e a percepção de qualidade fica restrita ao volume de reclamações. Quando ninguém reclama, assume-se que está tudo bem.


Essa abordagem pode funcionar por um tempo, mas não se sustenta. Sem indicadores, fica difícil perceber quando a operação começa a piorar aos poucos, justificar investimentos para a diretoria ou comparar o desempenho entre unidades.


Neste artigo, apresentamos os principais KPIs utilizados na gestão de transporte fretado corporativo, com exemplos de como são aplicados na Petrobras, onde a Buus vem atuando há 8 anos na gestão tecnológica da operação de fretado. A Petrobras movimenta cerca de 400 veículos em 20 unidades, transportando milhares de pessoas todos os dias.


Por que medir o desempenho do transporte fretado?


Porque o que não se mede não se gerencia. Essa frase já virou clichê, mas no fretado ela é especialmente verdadeira.


O fretado é um custo relevante para qualquer empresa

O fretado é um custo relevante para qualquer empresa que o mantenha. Sem acompanhar a ocupação dos veículos, por exemplo, é comum encontrar rotas com ônibus circulando pela metade enquanto outras operam lotadas. Indicadores permitem redistribuir esses recursos.


O fretado também impacta o dia a dia do colaborador. Atrasos recorrentes, desconforto e falta de informação geram insatisfação, afetam a produtividade e pesam no clima da empresa. Acompanhar pontualidade e satisfação ajuda a corrigir problemas antes que virem crises.


E tem a questão da tomada de decisão. Como explica Josimar, Supervisor de Mobilidade Terrestre da Petrobras: "Hoje, a nossa tomada de decisão é baseada em dados que são gerados da nossa própria operação. Isso nos ajuda a ver uma fotografia de como está a operação, o que pode ser ajustado, e aí a gente consegue fazer essa análise individualizada por rota, por unidade."


Pontualidade: o indicador mais crítico do fretado


Se desse para acompanhar um único indicador no fretado, deveria ser a pontualidade. Ela mede se os veículos estão chegando às unidades dentro do horário previsto, e é o KPI com impacto mais imediato na operação da empresa.


Na Petrobras, a pontualidade é o principal indicador de desempenho do fretado. A razão é concreta: em unidades industriais com turnos rotativos, como refinarias e plantas de processamento, o atraso de um ônibus provoca uma reação em cadeia.


(...) o atraso de um ônibus provoca uma reação em cadeia.

Quando o turno que chega se atrasa, a troca é postergada. Quem estava trabalhando precisa estender a jornada, gerando horas extras não planejadas. Em ambientes de alta periculosidade, a situação é ainda mais grave: trabalhadores cansados representam risco real de segurança. Como colocado na entrevista: "Um empregado mais cansado do que o normal pode impactar na questão de segurança. Ele pode vir a causar um acidente."


Mesmo fora de contextos industriais, a pontualidade pesa. Colaboradores que chegam atrasados por causa do transporte ficam frustrados, especialmente porque o atraso não é responsabilidade deles. Com o tempo, essa frustração empurra as pessoas para o carro próprio ou a carona, o que enfraquece a base de passageiros e encarece o custo per capita do fretado.


Como investigar problemas de pontualidade na prática


Saber que uma rota está atrasando é só o começo. O que importa é entender o motivo e agir.


Na Petrobras, isso acontece em reuniões periódicas com as equipes locais de transporte, onde se examina rota a rota. Quando uma rota começa a apresentar atrasos consistentes (chegando 10 a 15 minutos depois do previsto, por exemplo), a equipe investiga.


As causas mais comuns: obras ou mudanças no trânsito que aumentam o tempo de percurso, crescimento no número de passageiros na rota (fazendo os embarques demorarem mais), ou mudanças sazonais que afetam o itinerário.


Identificada a causa, o ajuste é direto. Trânsito novo num trecho? Antecipa-se o horário de partida. Rota lotou? Redistribuem-se passageiros ou troca-se o tipo de veículo. O que não pode acontecer é deixar o problema se arrastar. "Se a gente não tiver esse olhar contínuo, a tendência é que a operação vá decaindo, decaindo, até chegar a um ponto que cause impacto para a unidade operacional", explica Josimar.


Taxa de ocupação: eficiência e oportunidade de otimização


A taxa de ocupação mede o percentual de assentos efetivamente utilizados em cada rota. É o indicador que mais interessa à gestão financeira da empresa, porque conecta a operação de fretado diretamente ao custo.


É o indicador que mais interessa à gestão financeira da empresa, porque conecta a operação de fretado diretamente ao custo.

Um ônibus de 46 lugares transportando 15 pessoas é desperdício. Uma rota consistentemente superlotada gera desconforto e pode deixar passageiros sem embarcar. As duas situações pedem ajuste.


Monitorar a ocupação permite trocar um veículo grande por um micro-ônibus em rotas com pouca demanda, fundir duas rotas com ocupações complementares ou realocar veículos para onde a demanda está crescendo.


Um ponto que a Petrobras acompanha de perto é a atualização do cadastro de passageiros. É comum que colaboradores mudem de função, sejam transferidos ou simplesmente parem de usar o fretado sem avisar. Isso cria "passageiros fantasma": gente cadastrada na rota que não aparece. A ocupação registrada não bate com a real, e qualquer análise de otimização fica comprometida.


Por isso, a equipe faz verificações periódicas para limpar o cadastro. Parece burocrático, mas é o que garante que os dados de ocupação reflitam a realidade.


Cumprimento de rota: segurança e conformidade


O cumprimento de rota avalia se os veículos estão seguindo exatamente o itinerário planejado, passando pelas paradas previstas, na sequência correta.


A relação com segurança é direta. Rotas são planejadas levando em conta condições das vias, pontos de embarque seguros e tempos de deslocamento calculados. Quando um motorista desvia do caminho, por iniciativa própria ou a pedido de passageiros, pode acabar expondo as pessoas a vias inadequadas, paradas improvisadas ou tempos de viagem que ninguém previu.


Na Petrobras, segurança é tratada como inegociável. A empresa opera com meta de acidente zero e mantém "10 regras de ouro", incluindo uma específica sobre segurança no trânsito. O cumprimento de rota é monitorado com rigor dentro desse contexto.


Para empresas que estão começando a estruturar indicadores, o cumprimento de rota tem uma vantagem prática: pode ser automatizado com tecnologia de rastreamento veicular, algo que muitos operadores de transporte já oferecem como parte do serviço.


Satisfação do passageiro: o indicador que fecha o quadro


Pontualidade, ocupação e cumprimento de rota medem a operação pelo olhar da empresa. A satisfação mede pelo olhar de quem está dentro do ônibus todos os dias. E é essa percepção que determina se o fretado é visto como benefício ou como problema.


Na Petrobras, a satisfação é KPI formal. Após cada viagem, o colaborador avalia o serviço de 1 a 5 estrelas diretamente no aplicativo, com campo aberto para comentários. Uma equipe de backoffice analisa as avaliações, identifica padrões e, quando necessário, liga para o passageiro. A satisfação é meta anual dos Serviços Compartilhados.


A força desse indicador está no que ele captura e os outros três não alcançam: conforto do veículo, comportamento do motorista, temperatura, limpeza, sensação de segurança. Um ônibus pode chegar no horário, com boa ocupação e na rota certa, e ainda assim gerar insatisfação por causa de um ar-condicionado quebrado ou de um motorista imprudente.


Um ônibus pode chegar no horário, com boa ocupação e na rota certa, e ainda assim gerar insatisfação por causa de um ar-condicionado quebrado ou de um motorista imprudente

Esse tema merece aprofundamento. No próximo artigo da série, detalhamos como estruturar uma pesquisa de satisfação no transporte fretado: da coleta de dados à ação concreta.


Como começar a medir se você não tem nada estruturado


Se sua empresa opera fretado sem nenhum indicador formalizado, não precisa implementar tudo ao mesmo tempo.


Comece pela pontualidade. É o indicador com maior impacto e pode ser medido de forma simples, até com registro manual no portão da unidade. A pergunta é básica: o ônibus chegou no horário? Se não, quanto atrasou?


Depois, passe para a ocupação. A maioria dos sistemas de gestão de fretado já fornece essa informação. Se você ainda trabalha com planilhas, uma contagem periódica (semanal ou quinzenal) por rota já gera dados suficientes para decisões de ajuste.


Incorpore o cumprimento de rota na sequência, especialmente se sua operação envolve turnos, áreas industriais ou deslocamentos longos.


Por último, a satisfação. Mesmo uma pesquisa simples e periódica, com poucas perguntas objetivas, já traz informações que nenhum outro indicador consegue fornecer.


O mais importante é a constância. A prática da Petrobras mostra que são o acompanhamento contínuo e as reuniões periódicas de revisão que transformam números em decisões.


Se você quer acelerar esse processo, plataformas de gestão de fretado como a Buus já entregam esses indicadores prontos: pontualidade por rota, ocupação em tempo real, rastreamento de cumprimento de itinerário e avaliação de satisfação pós-viagem. É o tipo de estrutura que a Petrobras usa hoje para gerenciar sua operação em 20 unidades. Conheça a plataforma · Fale com um especialista



Painel de visualização de KPIs e gráficos na plataforma da Buus
Painel de visualização de KPIs e gráficos na plataforma da Buus

Este artigo faz parte de uma série sobre gestão de transporte fretado corporativo, baseada em entrevista com Josimar, Supervisor de Mobilidade Terrestre da Petrobras, no Podcast Buus — episódio 1.


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Perguntas frequentes


Quais são os principais KPIs do transporte fretado? Os quatro indicadores mais utilizados são pontualidade (o veículo está chegando no horário?), taxa de ocupação (os assentos estão sendo bem aproveitados?), cumprimento de rota (o itinerário planejado está sendo seguido?) e satisfação do passageiro (como o usuário avalia o serviço?).


Como medir a pontualidade do fretado? A forma mais simples é registrar o horário real de chegada dos veículos na unidade e comparar com o horário previsto. Sistemas de gestão de fretado com GPS automatizam esse processo. O importante é manter consistência no registro.


Qual o impacto de não acompanhar indicadores no fretado? Sem indicadores, a operação tende a piorar aos poucos: rotas ficam desbalanceadas, atrasos se normalizam e oportunidades de economia passam despercebidas. A falta de dados também dificulta justificar investimentos ou mudanças para a diretoria.



André Ikeda é engenheiro e co-fundador da Buus. Trabalha com mobilidade corporativa desde 2013 e desde 2018 desenvolve soluções tecnológicas para gestão de transporte fretado, a partir da vivência com operações de clientes no Brasil, Panamá e Holanda.

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